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fev/2006 -  De olho na pequenas empresas, Revista CardNews Fevereiro 2006
Somadas, as micros e pequenas empresas brasileiras são grandes — quer dizer, elas existem em grande número

Somadas, as micros e pequenas empresas brasileiras são grandes — quer dizer, elas existem em grande número. Essa afirmativa, à primeira vista paradoxal, é exatamente o que mostra uma pesquisa realizada pelo Sebrae: micros e pequenas empresas representam 99% das 4,6 milhões de empresas existentes no País e as empresas de benefício estão bem conscientes disso. Companhias como o VB Serviços, Sodexho Pass, Ticket Serviço e Visa Vale têm apostado nas pequenas e médias empresas do interior do País para fazer crescer seu negócio. O crescimento econômico e o desenvolvimento dos municípios do interior geram um potencial para as empresas de beneficio, segundo o gerente de produtos da Visa Vale, Alexandre leker, que acredita que as empresas de benefício "estão cada vez mais olhando para esse segmento da economia (de micros e pequenas empresas." Ieker reforça a idéia e diz que atualmente 85% da base de empresas clientes da Visa Vale são de empresas com essas características. "A gente já tem uma capilaridade muito grande que faz com que consigamos chegar em qualquer município brasileiro que tem o mínimo de uma economia, porque com certeza esse município deve ter uma agência do Bradesco, do Banco do Brasil e do Banco Real, que e canal de vendas." Na Ticket Serviços, que também vende benefícios de alimentação e refeição (entre outros), a situação não é diferente. Em 2002, a empresa começou a trabalhar no projeto batizado de Ticket Express, voltado para o mercado de micros e pequenas empresas de 1 a 50 funcionários com interesse na aquisição do Ticket Alimentação, Ticket Restaurante ou Ticket Restaurante eletrônico. Esse projeto, lançado em 2004, teve um volume de negócio mensal de R$ 8 milhões em um ano de existência. De acordo com o diretor de produtos da empresa, Alaor Aguirre, o projeto responde por 80% dos contratos da Ticket e atende atualmente cerca de oito mil empresas clientes. Mesmo com esse sucesso entre as micros e pequenas, Aguirre acredita que o mercado das grandes empresas não está de todo esgotado. "Eu diria que as grandes empresas olham para o nosso beneficio, mas já têm o seu fornecedor. Então, esse mercado é de maior dificuldade, o que acontece é a troca de fornecedores em um momento ou em outro." Para Aguirre, isso torna o mercado' das grandes empresas limitado. O executivo acredita que a tendência é o crescimento das pequenas empresas. Para a Sodexho Pass, o segmento das pequenas empresas é considerado prioritário. A diretora de marketing, Elizabeth Peart, conta que a empresa possui cerca de 10 mil clientes nesse segmento e pretende dobrar essa quantidade até o final deste ano. "Hoje existem nove milhões de trabalhadores que não possuem esse benefício", ressalta. A executiva conta que as micros e pequenas empresas recebem um tratamento diferenciado do das grandes empresas. "Oferecemos um site e um call center exclusivos para essas empresas."

MIGRAÇÃO A substituição do papel pelo cartão é um serviço que tem chegado no interior do País. Na Sodexho Pass essa substituição teve início em 2001 com o cartão alimentação. Em 2003 com o projeto concluído, a tecnologia chegou a cerca de um milhão de usuários. Atualmente, os investimentos estão voltados para a tecnologia smart, presente no Cartão Smart Sodexho Pass Refeição, que permite transações offline e garante a possibilidade de fazer pagamento no serviço de delivery, além de poder ser utilizado nas vending machines nas quais as transações de baixo valor podem ser efetuadas a custos competitivos. Elizabeth prevê que até o final de 2006 cerca de 55 mil pontos aceitarão o cartão. Hoje existem cerca de 20 mil estabelecimentos credenciados para aceitar essa tecnologia. Segundo a executiva, esse novo sistema dispensa linha telefônica e energia elétrica e demanda um investimento nacional considerado baixo. Já Alaor Aguirre, da Ticket Serviços, reforça que não pretende migrar totalmente para a tecnologia do cartão e que neste ano continuará com o uso do papel. "Nós não estamos querendo forçar o cliente a migrar para o cartão. Diferentemente dos outros concorrentes, o que a gente está oferecendo para o mercado é a melhor maneira ou melhor benefício que ele queira: se o cliente quer hoje o cartão, eu tenho o cartão em qualquer lugar do País; se ele quiser o papel, também tenho o papel." Mas Aguirre ressalta que a Ticket pretende chegar até o final de 2006 com no mínimo 50% da área de papel do produto Ticket Restaurante já migrada para a tecnologia do plástico - hoje, o papel corresponde a mais da metade desse produto. Já com o Ticket Alimentação, o executivo afirma que as transações estão 100% migradas para o plástico. "Temos um mercado monstruoso para buscar, existem dois milhões de empresas formais no segmento de micros e pequenas. Você pode imaginar quanto de caminho a gente pode percorrer?", reflete Aguirre. A Visa Vale realiza 100% das suas transações eletronicamente. Alexandre leker afirma que a distância dos grandes centros urbanos não é um limitador para a empresa expandir o uso da tecnologia de cartão. "A gente tem uma visão de produtos totalmente baseada em cartão e em transação eletrônica, com qualquer lugar que tenha um estabelecimento comercial que aceite o nosso produto, esse estabelecimento obrigatoriamente será automatizado através do sinal eletrônico", explica leker. "Nossos concorrentes têm ainda operação em vale de papel, mas a gente não precisa do papel para fazer com que nosso vale benefício seja aceito no interior." Por falar em tecnologia, uma novidade que a Visa Vale pretende lançar ainda no primeiro trimestre deste ano é o uso de tecnologia SMS para transações de compras deliveries do usuário que possui o cartão Refeição Visa Vale. "O usuário liga para pedir refeição e dizer que quer pagar com a Visa Vale através do celular. Então, ele passa o número do celular e recebe um SMS para poder autenticar e confirmar o pedido", explica Ieker. Essa tecnologia deve ser testada primeiro em São Paulo e posteriormente, se tudo der certo, em todo o País.

CONCORRÊNCIA O Grupo VB, que oferece a mais de 25 mil empresas seus benefícios alimentação, refeição e transporte, tem 85% da sua carteira formada por pequenas e médias empresas. Segundo o diretor executivo da empresa, André Martins, o Grupo atende empresas desse porte há 10 anus. "Nos baseamos, desde a nossa criação, para atender as pequenas e médias empresas. Nos especializamos nisso." Martins conta que o interesse por esse mercado tem feito com que as outras empresas de benefício busquem por clientes da VB, mas Martins garante que o Grupo está preparado para enfrentar a concorrência. O segredo, diz ele, é a base de relacionamento que o Grupo estabeleceu com seus clientes. "Eu permito que qualquer empresa que queira comprar um benefício conosco faça de forma simples e rápida, sem precisar fazer avaliação de crédito, ver contrato, enfim, com menos burocracia." Mesmo com a concorrência, o mercado de vale-transporte do interior de São Paulo tem "um potencial em torno de R$ 1 bilhão ao ano, se considerar o interior, o Vale do Paraíba e o litoral, tudo que e fora da região metropolitana de São Paulo", diz Martins. Já para o Brasil, o executivo acredita que o vale-transpor te tenha um mercado de cerca de R$ 8 bilhões ao ano. Outra proposta do Grupo é apostar na contramão, no mercado das grandes empresas. "Como eu vou ter concorrência mais acirrada na pequena e média, agora estou me voltando para o grande cliente. Levo a concorrência aos meus concorrentes nas grandes empresas,, que é o que a gente tem feito”, conta Martins. No segmento de benefícios alimentação e refeição, pelo qual o Grupo VB distribui produtos terceirizados da Ticket e Sodexho, a previsão, segundo o executivo, é dobrar a carteira de 2005, que teve uma média de R$ 3 milhões por mês. Para isso, Martins conta que a estratégia será oferecer esses benefícios para os clientes que compram vale-transporte com o Grupo VB. "Para integrar a cesta de benefícios dele, o que ele já comprou em vale-transpor te ele integra a um outro benefício e recebe tudo junto", planeja.

INFORMALIDADE Apesar do índice de trabalho informal ainda ser alto no Brasil, dados do IBGE informam que somente a cidade de São Paulo fechou 2005 com índice 31,5%, superior ao mercado de 2003, quando os 'sem carteira' representavam 30,4%. Esse índice de informalização da economia brasileira está diretamente relacionado com o desempenho das empresas de benefício. A lógica é simples: quanto mais carteira assinada, maiores as chances das empresas comprarem mais serviços de benefícios para os funcionários. Não podemos esquecer que por trás dos benefícios refeição e alimentação está o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Alaor Aguirre, da Ticket Serviços, afirma que se não fosse o alto índice de informalidade, o mercado de benefício poderia crescer mais ainda. "O impacto, na verdade, é de não termos todas essas empresas formalizadas. Por exemplo, para se fazer parte do PAT, a premissa básica é ser uma empresa formal." André Martins, do Grupo VB, cita uma outra questão importante, os riscos que a falta de benefícios pode trazer para o trabalhador. "A falta do vale-transporte, principalmente agora no modelo eletrônico, faz com que ainda existam muitos transportes clandestinos. Tendo transporte clandestino, o transporte não é fiscalizado, não tem segurança. Li no jornal que todo dia tem acidente com transporte clandestino em todas as capitais do País", alerta. Mas Martins acredita que o índice de informalidade está caindo. "Ainda está muito aquém do que poderia ser, mas melhorou principalmente no ano de 2004. Em 2005 não tanto quanto em 2004, que foi bastante positivo na criação de emprego formal, nós percebemos isso nos nossos clientes. Nós crescemos não só no número de clientes como no aumento do volume de compras dos nossos produtos”, finaliza.

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